segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Aulas de Literatura_Conhecendo mais o escritor Augusto Abelaira

Começar o dia com uma aula de literatura pode ser um momento imensamente agradável se a opção for transformar este tempo em algo proveitoso. Estive a definir desde o início das aulas que as faria de forma que fossem agradáveis e que trouxessem a aprendizagem de uma forma leve e fluída. Levar aos alunos alguns autores "esquecidos" e fazer com aprendessem mais dentro de um universo tão vasto e enriquecedor.

Sessão de leitura e atividades com cada crônica pode estimular a aprendizagem e trazer um bom ambiente. Há que se aprender todos os dias a dar aulas mais dinâmicas e perceber que os alunos apreciam este tempo que passam num encontro com a literatura.

Aqui deixo uma crônica de Augusto Abelaira, uma das mais belas crônicas que transmitem muita emoção. Deixe-se levar pelos mais belos sentimentos e por um autor que traduz em palavras tanta sensibilidade.

ESCREVER NA ÁGUA


Carlos
Não me importa agora que Carlos de Oliveira fosse o autor de algumas das mais belas poesias da língua portuguesa. Nem que tivesse escrito o mais misterioso e envolvente dos nossos romances. E isto nunca lho disse. Um pudor absurdo? Cheguei a afirmar publicamente (mas a ele, nunca) que considerava Finisterra  (ou, melhor, Finisterra: paisagem e povoamento, ele irritava-se que lhe cortassem o título) o melhor romance português dos últimos 30 anos. Mas não era verdade – e só o tal pudor impediu que dissesse: de toda a literatura portuguesa (e não esquecendo Os Maias). Coisa que percebi imediatamente após a leitura da prova amorosamente dactilografada pela Ângela em papel azulado. Porque não lho disse se o sentia? Que pudor é este? Talvez não somente pudor, o receio da ironia dele: Você é uma pessoa muito amável e não acreditaria, pensaria que eu estava a lisonjeá-lo. E eu não queria que ele pudesse pensar isso de mim. Para ele era mais verossímil uma admiração modesta, ele não tinha verdadeira consciência do livro que escrevera. Rendi-me à falsa verossimilhança.
Mas não importa isso agora, repito, porque mais importante me parece o amigo. E recordo-me de que, com a minha estúpida mania de brincar com coisas sérias, declarei recentemente a um jornal: Não tenho amigos. A hipócrita tentativa de ouvir alguém protestar, de ouvir o próprio Carlos de Oliveira? E estou a ver o rosto magoado, profundamente magoado, dele, quando no dia seguinte o encontrei. Você não será amigo de ninguém, é lá consigo, mas há pessoas que são suas amigas e você não tem o direito de falar como falou. Desejei meter-me pelo chão abaixo, o Carlos de Oliveira era um pouco a voz da consciência, uma consciência que se amava e que se temia. Um desses amigos capazes de sofrer pelos outros. Com os outros.
Mas agora? Carlos de Oliveira era uma das três pessoas com quem eu me habituara a conversar na própria ausência delas. O interlocutor de certos momentos quando eu estava sozinho. Quando escrevia um livro (que pensará o Carlos de Oliveira?). Quando via um bom filme (ele que não ia ao cinema). Quando lia um bom livro. Até quando amava. Sim, que pensará o Carlos de Oliveira? E apesar de vê-lo todos os dias conversava mais com ele quando não estava com ele.
Com quem vou agora conversar quando estiver sozinho, agora que das três pessoas com quem conversava em silêncio já outra morreu alguns tempos antes? E penso nas tantas coisas que lhe disse em silêncio, mas que não me atrevi a dizer-lhe na realidade.
Uma porção de coisas que andavam a afogar-se e que só a ele poderia confessar.
Recentemente fizemos uma aposta. A esquerda ganharia ou não em França? Céptico, eu dissera que não. Ele, que sim. Perdi a aposta que era um jantar. E íamos jantar num dia destes – ainda na terça-feira falámos nisso. Eu decidira ter a tal conversa, pôr em dia as muitas conversas que com ele tivera não tendo. A fascinação de pôr a alma a nu - a certeza de que só ele me saberia ouvir com esse misto de ternura e de ironia que tanto o caracterizava, a sua generosidade sem mácula, a sua prodigiosa capacidade de compreender sentindo-me se aproximar discretamente de nós. O seu conselho. A sua amizade.
Mas agora não é mais possível (continuarei decerto a falar com ele, mas na ausência definitiva). E como se fala com um amigo que se sabe que já morreu, como será possível manter esse teatro?
Quanto os livros... Que importa um livro, mesmo um grande livro, comparado com um amigo generoso?



domingo, 3 de novembro de 2013

Novos projetos

Bom dia,

Estou aparecendo depois deste período de ausência, mas não de esquecimento. Confesso que pensei no blog e no que poderia escrever. Aqui estou para partilhar os novos projetos.

Recentemente comecei a dar aulas em regime de voluntariado numa Universidade Sénior, uma experiência marcante sobretudo porque aprendo em cada aula e acredito que é nisso que reside um dos maiores momentos desta partilha de informação. 

Vive-se intensamente em cada encontro com os alunos, pessoas que estão disponíveis para a aprendizagem e que nos deixam sempre com grandes sorrisos que transformam ainda mais o nosso papel na sociedade.

Estou com duas aulas por semana. Dou aulas de Comunicação Humana, uma disciplina dedicada ao estudo de alguns conceitos, nada exaustivo, mas sobretudo de mostrar o quanto podemos melhorar a nossa comunicação ao sabermos o que é, como pode ser trabalhada, quem somos etc. 

Também estou a dar aulas de Literatura Portuguesa, construí o programa em função de mergulharmos na leitura e aprendermos mais sobre narrativas, tais como: contos, crônicas etc. Fazemos uma breve sessão de leitura em algumas aulas e desenvolvemos uma dinâmica de estudo da obra o que nos leva para os momentos de reflexão. Queremos com isso que cada um de nós seja capaz de sair diferente da sala de aulas e que ao ler possamos aprender ainda mais.

Amanhã, lá estaremos com mais crônicas. Aproveitaremos para um mergulho em Fernão Lopes, Augusto Abelaira e Luís Fernando Veríssimo que aparecerá como um presente final :)

Futuramente irei escrever sobre o Augusto Abelaira, um autor que vale a pena conhecer e reconhecer ainda mais. Um talento que merece ser partilhado. Descubram-no!

Desejos de uma semana excelente e com boas leituras

sábado, 29 de junho de 2013

Meia com pelos

Que o mundo das invenções é surpreendente, ninguém tem dúvidas, ainda mais se estiver habituado a passar por alguns momentos do dia por alguns sites que trazem estas "loucuras", algumas praticáveis e outras que nos fazem rir, digamos, pensar se seria possível alguém usá-las.

Deparei-me com a meia com pelos, a ideia de espantar os homens mais pervertidos, o que poderia ser uma medida inteligente em certos transportes públicos onde alguns "homens" insistem em abusar nos empurrões e mãos mais atrevidas, no entanto, fico a perguntar-me porque uma pessoa usaria tal meia e não trocaria esta ideia por uma simples calça. Na minha cabeça faria mais sentido, mas ainda estou a ser lida por alguém que gosta das tais meias e já pensa em comprá-las no futuro.

Para quem ficou por aqui no sábado à noite, fica a imagem para que possa pensar sobre este momento, uma mulher e suas meias com pelos :)


segunda-feira, 6 de maio de 2013

Mestrado

Nestes dias em que uma pessoa parece de folga do blog, o pensamento passa por aqui, mas as leituras e partilhas que se pretende alimentam algo para ser construído com tempo e fundamentado, mas hoje resolvi sair desta ideia conciliando as leituras feitas durante este processo de escrita da dissertação para o Mestrado deixando aqui este registro e partilha.

Reforçamos os nossos objetivos quando nos envolvemos com um projeto que apreciamos, quando fazemos uma escolha e orientamo-nos para que possamos ter os melhores resultados. Acima de tudo, a realização pessoal, sinto-me contente com cada linha escrita, com o desenvolvimento de algo que acredito. 

Como surge um "tema"? Teriam tantas explicações, mas resolvi sair da primeira pessoa do plural e ir diretamente à primeira pessoa do singular, escreverei como "eu" encontrei o tema.

Parece um tanto inusitado, mas já tinha pensado em fazer algo que envolvesse a história dos profissionais de Relações Públicas, mas caminhava sempre entre perguntas e mais perguntas, até que um dia, depois de uma passagem pelo caixa automático, aquela velha e tão frequente constatação de que o meu salário não era suficientemente adequado ao que eu pretendia (pretendo) fazer da vida. Numa passagem num centro comercial que fica pouco depois do banco, no meio de tantos pensamentos sobre o que faria com o que ganho e o que poderia modificar, de repente, apareceu a ideia realmente mais clara do que pretendia fazer no meu trabalho de Mestrado. Simples? Não, mas fiquei mais orientada de que seria realmente este o caminho. Depois me envolvi com as pesquisas para fundamentar a minha escolha e aplicá-la de acordo com o pretendido. Ninguém faz um caminho sozinha, precisamos de orientadores, de autores que pensaram em "n" coisas, no meio desta mistura toda, encontramos os nossos caminhos e fazemos às nossas escolhas.

Ainda não estou dizendo do que se trata realmente o meu trabalho, este irá desenvolver-se por mais alguns meses e depois irei partilhar mais sobre o mesmo. Consigo aos poucos fortalecer à ligação entre o que acredito e os autores que podem sustentar à minha opção.

Basta sempre pensar positivo, questionar-se e ir à luta. Estará pronto no tempo certo e será de todo de acordo com o que pensei inicialmente, diria mesmo, que estará além daquele primeiro momento, afinal, descobri tantos "encantos" ao longo do percurso e agora com a fase de "entrevistas" descobrirei novas formas de ler o meu objeto de estudo.

Viva!

quarta-feira, 17 de abril de 2013

As mentiras que os homens contam_Luís Fernando Veríssimo

Uma leitura muito recomendada, são 41 contos que nos fazem rir e viajar pela escrita bem humorada e inteligente de Luís Fernando Veríssimo. Vale a pena reservar um tempo para colocar a leitura em dia.

"Nós nunca mentimos. Quando mentimos, é para o bem de vocês. Verdade.
Começa na infância, quando a gente diz para a mãe que está sentindo uma coisa estranha, bem aqui, e não pode ir à aula sob pena de morrer no caminho. Se fôssemos sinceros e disséssemos que não tínhamos feito a lição de casa e por isso não podíamos enfrentar a professora a mãe teria uma grande decepção. Assim, lhe dávamos a alegria de se preocupar conosco, que é a coisa que mãe mais gosta, e a poupávamos de descobrir a nossa falta de caráter. Melhor um doente do que um vagabundo. E se ela não acreditasse, e nos mandasse ir à escola de qualquer jeito, ainda tínhamos um trunfo sentimental. "Então vou ter que inventar uma história para a professora", querendo dizer vou ter que mentir para outra mulher como se ela fosse você. "Está bem, fica em casa estudando!" E ficávamos em casa, fazendo tudo menos estudar, dando-lhe todas as razões para dizer que não nos agüentava mais, que é outra coisa que mãe também adora.
A primeira namorada. Mentíamos para preservar nosso orgulho, certo?
- Não, não, eu estava passando por acaso. Você acha que eu fico rondando a sua casa o dia inteiro, é?
Mas o que vocês pensariam se nós disséssemos: "Sim, sim, não posso ficar longe de você, penso em você o dia inteiro, aqueles telefonemas que você atende e ninguém fala, sou eu! Confesso, sou eu! Vamos nos casar! Eu sei que eu só tenho 12 anos e você tem 11, mas temos que nos casar! Senão eu morro. Senão eu morro!"? Vocês se assustariam, claro. A paixão nessa idade pode ser um sumidouro. Mentíamos para nos proteger do sumidouro.
Outras namoradas. Outras mentiras.
- Eu só quero ver, juro. Não vou tocar.
Vocês não queriam ser tocadas, mas ao mesmo tempo se decepcionariam se a gente nem tentasse. Nem desse a vocês a oportunidade de afastar a nossa mão, indignadas. Ou de descobrir como era ser tocada.
Namorar - pelo menos no meu tempo, a Renascença - era uma lenta conquista de territórios hostis, como a dos desbravadores do Novo Mundo. Avançávamos no desconhecido, centímetro a centímetro, mentira a mentira.
- Pode, mas só até aqui.
- Está bem. Não passo daí.
- Jura?
- Juro.
- Você passou! Você mentiu!
- Me distraí!
Dávamos a vocês todos os álibis, todas as oportunidades para dizer depois que tudo acontecera devido à nossa calhordice e não à vontade que vocês também sentiam.
Não mentíamos para vocês, mentíamos por vocês. Os verdadeiros cavalheiros eram os que enganavam as mulheres. Os calhordas diziam, abjetamente, a verdade. Não faziam o que juravam que não iam fazer, transferindo toda a iniciativa a vocês. É ou não é? Mas isso tudo mudou, desgraçadamente bem quando eu deixei para trás as tentações do mundo e entrei para uma ordem (a dos monógamos). A revolução sexual, que um dia ainda vai ser comemorada como a Revolução Francesa, com a invenção da pílula anticoncepcional correspondendo à queda da Bastilha e o fim dos sutiãs ao fim da monarquia - e o termo sans culotte, claro, adquirindo novo significado - tornou o relaciona-mento entre homens e mulheres mais franco e desobrigou os homens de mentir para as mulheres para salvar a honra delas. Aliás, dizem que a coisa virou de tal maneira que hoje a mentira mais comum dita pelos homens é "Esta noite não, querida, estou com dor de cabeça". Não sei. Mas continuamos mentindo a vocês para o bem de vocês.
"Rmmwlmnswl" não significa que nós estamos fingindo dormir com medo de ir ver que barulho é aquele na sala. Significa que estamos fingindo dormir para que você vá ver com seus próprios olhos que não é nada e pare com esses temores ridículos, e se for mesmo ladrão nos avise a tempo de pular pela janela.
"Fiquei fazendo companhia ao Almeidinha, coitado, ele ainda não se refez" significa que a nova gata do Almeidinha só saía com ele se ele conseguisse um par para a prima dela, e nós fazemos tudo por um amigo, mas não queremos estragar a ilusão de vocês de que a separação deixou o Almeidinha arrasado, como ele merecia.
"Está quase igual ao da mamãe" significa que não chega aos pés do que a mamãe fazia, ou então que está muito melhor, mas que o importante é vocês não se sentirem nem tão ressentidas que decidam atirar o doce na nossa cabeça e depois se arrependam, nem tão confiantes que parem de tentar ser iguais à mamãe, e no dia que a gente disser que está sentindo uma coisa estranha bem aqui, só para não ir trabalhar e ficar vendo o programa da Xuxa, vocês não digam "Comigo essa não pega" e nos botem para a rua."

sábado, 6 de abril de 2013

Sugestões de leitura




Se estiver a procura de bons livros, hoje reservamos três sugestões:

Lídia Jorge "A Praça de Londres" (logo com maiores detalhes)

Maria Judite de Carvalho "Tanta gente, Mariana" (Encontrado num sebo; já com o primeiro conto lido e aprovado, leitura apaixonante e altamente recomendável)

Irene Lisboa "Solidão" (segundo comentários, um livro muito interessante)

Três mulheres para enriquecer ainda mais o mundo literário. Deixe-se levar pela boa leitura e viaje na imaginação.

Excelente fim de semana!

sábado, 30 de março de 2013

Páscoa com amêndoas e Clarice Lispector


Nesta altura do ano, muitas pessoas estão esperando pelos ovos de chocolate que são uma febre no Brasil, aqui em Portugal embora existam alguns, o gosto mais popular são as amêndoas cobertas com chocolate, outras apenas com açúcar, etc, o que não faltam são opções.

Qualquer dia combina com um chocolate em qualquer formato, assim como a vida combina com livros que combinam com chocolate e combinam consigo.

Clarice Lispector combina com amêndoas, assim como "Um sopro de vida" combina com muitas pulsações. Hoje estão aqui com os desejos de uma Feliz Páscoa, uma boa leitura e boas conversas, sem faltar, a boa comida :)

Sigam...felizes e experimentando...

quinta-feira, 21 de março de 2013

Coleção dos anos 80_Amar é...


Hoje trazemos até o blog um pouco da nostalgia e saudade associada aos anos 80 que é tão marcante por músicas que nos acompanham ao longo do tempo, mas fugimos destas nuances e ficamos apenas com uma coleção que marcou uma época.

Lembra-se das figurinhas (cromos) "Amar é..."?

Já conseguiu completar a frase? :)

sábado, 16 de março de 2013

Doces conventuais

Ontem estava numa conversa animada quando de repente surgiu algo relacionado aos doces conventuais e ao açúcar, como seria na altura de D. Afonso Henriques. Depois de muitas ideias sobre mel etc, resolvi pesquisar para saber mais e encontrei o site http://www.virgiliogomes.com e achei interessante partilhar com todos.

"Parece fácil estabelecer a diferença, ou a definição, das categorias que genericamente nos habituaram a apelidar a doçaria de popular e de conventual. No entanto, para isso, é necessário fixar no tempo, na geografia, e nas mercadorias/produtos de cada uma delas que as vão caracterizar.
Antes de definir os dois conceitos é importante referir em que época surge a existência de ambas e, logicamente, da sua distinção. E isto deve-se a um produto fundamental que era muito caro e muitas vezes utilizado como um fármaco: o açúcar. Apesar de já os portugueses o conhecerem, e utilizarem durante a ocupação moura (os infiéis de quem herdámos tantos doces e outros prazeres) só tardiamente chega em abundância e a preço mais baixo. Depois de várias tentativas de produção de cana-de-açúcar no Algarve, e depois na Madeira, é em meados do século XVI que este produto chega em quantidade a Portugal com a exploração de cana do Brasil. Em rigor estabelece-se o primeiro engenho em 1532. É, portanto, a partir desta data que se pode estabelecer a separação dos dois tipos de doçaria, apesar de já haver uma doçaria palaciana mas muito inferior à que se desenvolveu posteriormente nos conventos femininos. A doçaria que dominava era confecionada com mel como ainda hoje podemos observar em toda a zona do Magrebe, e que consta num tratado de cozinha do século XIII, escrito por Ibn Razin Tujibi (1293) sendo um documento que nos revela a alta cozinha que se praticava no reino de El Andalous. Nas receitas doces separam bem as confecionadas com mel das confecionadas com açúcar.
Quanto à origem podemos afirmar que a doçaria popular era aquela que era confecionada em ambiente doméstico, e mesmo aquela que se produzia para festas e romarias, a partir das quais se pode fazer um legítimo inventário, também hoje quase conhecida como rural. A conventual é então uma nova doçaria, de quase exaltação, e que emana dos conventos e mosteiros, com um receituário novo, e mais rico.
Quanto aos produtos poderemos afirmar que a doçaria popular emprega em maior quantidade a farinha do que o açúcar, poucos ovos e, por vezes, frutos secos locais. Único requinte é a utilização de canela ou erva-doce. Era uma doçaria que não era exibicionista, e simples e de confeção para dias festivos, ou mercados. Muitas vezes usava-se azeite para garantir a sua conservação por mais dias. Quanto à conventual começa por usar muito açúcar, muitos ovos, farinha quase inexistente, muita amêndoa e frutas cristalizadas ou em xarope de açúcar. Muitas vezes a doçaria conventual tem como ponto de partida um ponto de açúcar tanto para fazer cremes (ovos moles), como para fazer bolos (real ou das Clarissas de Évora).
Depois destas generalidades vejamos como podemos definir a que é a doçaria conventual. Pela lógica afirmamos que é a doçaria que foi aperfeiçoada, confecionada e divulgada a partir dos conventos. O que levou a que os conventos desenvolvessem esta prática doceira? Os conventos não eram só locais para receber meninas e senhoras por razões de fé e dedicação à vida religiosa. Os conventos eram também locais, casas de recolhimentos de meninas e senhoras abastadas, que não tendo encontrado casamento à altura da sua posição social, encontravam nestas casas uma forma adequada de caminhar para a velhice. Ora, nestes casos, eram acompanhadas de bons dotes, e faziam-se acompanhar de até duas criadas. São estas criadas, já habituadas a cozinhar em ambientes sofisticados para a época, que vão desenvolver esta nova doçaria e que, com todo o tempo do mundo, a aperfeiçoam. Ora, apesar das circunstâncias que permitiam a manutenção dos produtos naqueles locais, há todavia conventos que praticavam também uma doçaria que não seria tão rica e que mais se identifica com a doçaria popular. Os produtos de elite da doçaria conventual são o açúcar, os ovos (mais gemas e menos claras) e a amêndoa. Depois ainda outros frutos e, também, frutos cristalizados.
Quando analisamos com atenção o inventário de doçaria conventual, encontramos por vezes, muitas repetições. Ora sendo as receitas um pequeno segredo de cada convento, pode parecer estranho esta repetição. Acontece que, sempre que abria um convento novo, ia habitualmente um pequeno grupo de um convento já existente, para iniciar a abertura. Possivelmente este pequeno grupo levava o receituário a que teve acesso, e que conseguiu copiar. Por essa via é que também encontramos a mesma receita com ligeiras variações dado o registo de passagem nem sempre ser escrito e, muitas vezes, apenas por transmissão oral. Um dos exemplos é o toucinho-do-céu que é executado com ligeiras alterações que vão determinar a sua designação com origem de localização. Assim temos o toucinho-do-céu de Guimarães diferente do de Murça e ainda diferente de vários do Alentejo. Mas a doçaria que se confeciona nos conventos não é só aquela a que hoje chamamos de conventual. O exemplo mais popular é a marmelada. Claro que nos conventos assistimos ao apurar de diferentes versões do mesmo doce, como é o caso da marmelada branca e da comum ou vermelha, com origem no Mosteiro de Odivelas. Ainda pelas frutas, e para aproveitar na época da sua colheita, e garantir a sua conservação, se faziam doces como a Perada, Pessegada e a muito famosa Nabada do Mosteiro de Semide. Neste capítulo uma curiosa receita de Azeitonas Doces do Convento de Nossa Senhora dos Anjos de Chaves. Outros bolos simples eram produzidos nos conventos sem que chegassem até nós com o rótulo de conventuais. Neste grupo temos o Bolo Podre do Convento do Lorvão, Bolo de São Bernardo de Arouca, Bolinhos de Banha do Mosteiro de Salcedas, Bolo de Nozes do Mosteiro de Santa Clara de Bragança, Bolo de Laranja do Mosteiro das Chagas de Lamego, ou o Bolo Escuro do Mosteiro de Santa Clara de Trancoso. Pelas designações podemos registar que uma doçaria mais simples se encontrava a norte do país. Não faltavam também nos conventos o tradicional arroz doce, ou a aletria doce.
Definir então o que é a doçaria conventual como hoje a conhecemos, devemos pensar em considerar três categorias fundamentais: a doçaria de colher, a de pequenos doces e a de bolos grandes. Na primeira vamos incluir os Ovos-moles do Convento de Nossa Senhora do Carmo de Aveiro, várias Trouxas-de-ovos do mesmo convento e também do Convento da Esperança de Vila Viçosa, ou do Convento da Conceição de Beja, Barrigas de freira de vários conventos, Charcadas de Ovos, Sopas Doces ou Douradas, Encharcadas, Fatias de Tomar, Formigos, e Manjares de Ovos. Quanto a pequenos doces a variedade é ainda maior desde as Arrufadas, passando pelos Beijos de Freira, Bolinhos de Amor, Broas, Cavacas, Celestes, Clarinhas, Cristas, Empadas Doces, Fofos, Lérias, Papos de Anjo, Queijinhos do Céu, Suspiros, Tibornas e muitos outros. Nos bolos grandes temos os variados Toucinhos-do-céu, os Bolos Reais e o famoso Bolo do Convento das Clarissas de Évora. O inventário da doçaria conventual é muito extenso. Devemos é assumir seriedade quando apelidamos um produto de conventual só porque a designação vende mais. Ter a certeza da origem será melhor ainda. Lamentavelmente em recente concurso de doçaria conventual, o júri sentiu-se obrigado a recusar dois doces porque não se enquadravam na designação conventual. Se lhe chamamos conventual que saibamos o convento de onde vem.
Apesar de serem boa companhia para um chá, ou por isso mesmo, não se esqueçam de descobrir um vinho ideal para acompanhar estas iguarias. E Portugal tão rico com generosos para conjugar!"

sexta-feira, 8 de março de 2013

De "Chávez" ao "Chorão" com o Dia da Mulher

Dias mais preenchidos com a morte do presidente venezuelano Hugo Chávez. Fala-se na Democracia, Socialismo, a luta por ideais, assiste-se ao amor incondicional de tantos venezuelanos e de pessoas de outras nacionalidades espalhadas pelo mundo. Aceitar as diferenças nem sempre é uma tarefa fácil, alguns não pensam que o regime chavista seja algo democrático, mas para quem lá está, o que vivem é diferente e este amor surge de quem não tinha nada e de repente tem alguma coisa, mesmo que seja ainda tão pouco. Cabe-nos o respeito, a esperança que o país encontre um equilíbrio e aproveite melhor a riqueza que possui. Um problema de tantos países, fazer com que a democracia leve mais do que o direito de dizer o que se pensa, mas conseguir ter direito à saúde, educação e tantos outros "benefícios" que são de todo um direito.

Nem a semana avança e o Brasil vive a morte do "Chorão" (vocalista do Charlie Brown Jr), um apaixonado pela música, pelo skate, personalidade diferenciada o que só lhe ficava bem, as pessoas autênticas nem sempre são vistas com bons olhos por muitas pessoas, mas Chorão conseguiu atrair quem realmente se identificava com as suas músicas e com o seu modo de fazer o que se gosta e da melhor forma a cada dia. Vá, Chorão não se foi, fica a sua lição, as suas letras, os seus filmes e a imagem de que se deve apostar no que tanto se gosta.

Hoje passamos pelo Dia da Mulher, todos os dias o são, talvez seja por isso, que repetimos esta ideia para tantas outras comemorações, mas por vezes, convém assinalar para que se relembrem dos grandes feitos e conquistas ao longo da história, por exemplo, o direito ao voto. Salve! Salve! Já evoluímos, mesmo que ainda tenhamos salários menores em muitos lugares, ainda tenhamos países que exploram e não enxergam as mulheres como seres repletos de direitos.

Caminhamos...devagar...mas com otimismo!

Bem-vindo ao fds!

sexta-feira, 1 de março de 2013

Rafinha Bastos "A arte do insulto"



Nem todos apreciam a forma de humor do Rafinha Bastos, mas a verdade é que muitos são seguidores do que ele lança para o youtube.

Aqui fica o vídeo e aproveite, deve existir alguma piada que o faça rir, faz bem começar o fds assim ;)

domingo, 24 de fevereiro de 2013

David Beckham




Muitas pessoas andaram suspirando com o vídeo de David Beckham, outras conseguiram suspirar e descobrir que faltavam as tatuagens no braço quando o jogador está correndo. Então agora os suspiros devem aparecer para o dublê de corpo, sim, as imagens eram de um outro homem dono de tais atributos.

Segundo a marca, eles garantem que o bumbum é mesmo do David, mas no meio disso tudo, há quem já não acredite em mais nada.

De qualquer forma, a marca é excelente, um engano pelo meio do caminho :)

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Fim de semana

O fim de semana pode pedir uma música, um livro, uma saída e muita dança, conversas agradáveis ou o silêncio. Tantas coisas podem acontecer no fim de semana, algumas que você pode apenas desejar.

Não se esqueça de experimentar...

Aproveite para aprender um pouco mais sobre você e o "mundo"...

Desejos de um excelente fim de semana

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Código para daltônicos

                                        
Já não era sem tempo que existisse uma iniciativa tão bem-vinda para facilitar a vida aos daltônicos. Agora com o código criado pelo português Miguel Neiva a identificação das cores está mais acessível, o criador merece muitas felicitações e desejamos imensamente que o código torne-se cada vez mais comum entre nós.

Agora está em negociação com a utilização do código nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016, esperamos sinceramente, que sejam apenas "conversas" para acertarem detalhes para que seja aplicado da melhor forma possível, afinal, não consideramos que o código não possa ser utilizado.

Precisamos de boas iniciativas. Que apareçam! :)

Fotografia © Direitos Reservados - coloradd.net

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Dia dos Namorados



Em alguns lugares comemora-se o "Dia dos Namorados", mais um dia que os casais reservam para as surpresas, muitas declarações de amor eterno, de fotografias, músicas apaixonadas, jantares à luz de velas e tantas outras coisas que podem fazer parte da comemoração deste dia. Para celebrarmos este momento, ficamos com Luís de Camões que se eternizou, esperamos que os amores sejam assim, célebres e eternos.

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Cantadas

Em tempos de Carnaval as "cantadas" tornam-se tão necessárias quanto as fantasias, claro que muitas pessoas arriscam-se com aquelas bem antigas e demasiado usadas ao longo do tempo. A maioria das cantadas já fazem parte das boas gargalhadas proporcionadas a maioria das mulheres, a quem possa pensar que uma mulher gosta de ouvir estas cantadas ou algumas mais elaboradas, mas a maioria gosta é de perceber que não existe um texto ensaiado, uma frase saída de algum site da internet e usada diretamente para a primeira, segunda, terceira...décima mulher da noite...as pessoas querem se sentir realmente especiais, mesmo que seja apenas naquele momento. Caprichem na fantasia...na diversão...nas cantadas :)

Divirtam-se!

Quem não conhece esta cantada que levante a mão :) contudo, a resposta já é mais original :)


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Lisboa com suas cores

Para começar a semana, viaje pelos pensamentos, leia um bom livro, tenha conversas agradáveis, aproveite para aprender mais e cada vez mais, não se limite em sonhar e corra atrás da realização dos seus objetivos. Aqui no meio de casas de várias cores, fica Fernando Pessoa e a Ponte 25 de Abril como a ligação entre o que você deseja e o caminho para percorrer. Aventure-se!



Lisboa

Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores...
À força de diferente, isto é monótono.
Como à força de sentir, fico só a pensar.

Se, de noite, deitado mas desperto,
Na lucidez inútil de não poder dormir,
Quero imaginar qualquer coisa
E surge sempre outra (porque há sono,
E, porque há sono, um bocado de sonho),
Quero alongar a vista com que imagino
Por grandes palmares fantásticos,
Mas não vejo mais,
Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras,
Que Lisboa com suas casas
De várias cores.

Sorrio, porque, aqui, deitado, é outra coisa.
A força de monótono, é diferente.
E, à força de ser eu, durmo e esqueço que existo.

Fica só, sem mim, que esqueci porque durmo,
Lisboa com suas casas
De várias cores.

Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

As palavras "mágicas"_fiança e justiça

É de todo natural que estejamos consternados com o que aconteceu em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, saber que para além dos sonhos interrompidos, muitos familiares terão que viver com a ausência dos seus entes queridos.

Somos algo culpados, "matamos" todos os dias quando não agimos para termos mais segurança, quando a justiça cega-se completamente e deixa que criminosos sejam soltos e nós sejamos os prisioneiros do sistema.

Estamos vivendo dias em que criminosos que já deixaram a sua marca, matando um casal de jovens, deixando a moça ser torturada e estuprada por três dias, levando várias facadas até morrer, poderá ser libertado caso a sua deficiência mental demonstre que está apto a estar nas ruas, caso que se aplica ainda mais rápido para o assassino de Glauco e seu filho, logo poderá estar de volta às ruas, se está apto ao retorno perguntamo-nos pq não pode ser condenado?

Leis brandas ou não para quem mata no trânsito, a verdade é que a palavra fiança faz parte do nosso dia-a-dia, estamos perante os finais em que ouvimos "ninguém foi preso" e tantos clamam por "justiça".

Que não nos falte memória e que não falte discernimento para que possam aplicar as leis de forma que sejam condenados quem não pode estar no meio das pessoas, pq desta forma poucos serão os que ainda tentarão praticar algo desumano e cruel.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Antes idiota que infeliz!

Experimentar uma boa leitura...uma conversa com os amigos...uma partilha de bons sentimentos...podemos experimentar tantas coisas e aproveitarmos melhor o nosso dia-a-dia.

Por hoje, comece a "experimentar" Arnaldo Jabor:

"Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.

Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas. E saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.

Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?

Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçados, sabe, essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.

Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.

Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos Orkut, o número que comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!".

Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.

Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, demodé, brega.

Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta.

Mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois.

Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: "vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida".

Antes idiota que infeliz!"


Arnaldo Jabor

domingo, 20 de janeiro de 2013

Mergulhe na leitura das "Sombras"

Para quem está com vontade de mergulhar numa leitura rápida e envolvente, comprar a trilogia "Cinquenta Sombras de Grey" é mais do que aconselhada. Há quem diga que uma pessoa "culta" não lê este tipo de literatura e há quem diga que isso nem é literatura.

Verdade seja dita, que os conceitos estão para serem usados. Consideramos que nem todos escrevem da mesma forma que Fernando Pessoa, Machado de Assis, Clarice Lispector, Cecília Meireles, Graciliano Ramos, Camões etc. mas entre estes e o etc. também existe tanta diferença. Há quem aprecie e deteste, para tudo existirão os apaixonados e os desencantados.

Temos que estar com a mente receptiva para os livros e os novos autores, nem todos podem nos agradar, mas não custa nada tentar e não criar rótulos antes mesmo de ter conhecimento sobre as coisas.

Atualmente, as pessoas dão opinião, mas falar sem saber do que se trata é de todo muito fácil. Há quem diga que prefere Saramago, mas em muitos casos desconhece até algum título da obra do autor. Entre escolher o que lhe parece mais apropriado, escolha o que realmente sabe e gosta, mas para aprender a gostar é preciso experimentar, não dá para se encantar por Clarice Lispector sem mergulhar na sua obra, mas para "compreendê-la" é preciso disponibilidade para a sua escrita.

O humor de Luís Fernando Veríssimo fascina, a inteligência atrai-nos, mas é preciso estar disponível mais uma vez para este momento de leitura.

Voltamos as sombras, é daquele tipo de leitura que não faz mal algum, não nos ensina muito no que se refere aos mais renomados escritores, mas se passa boas horas numa leitura dinâmica que faz bem aos pobres mortais.

Divirta-se com a leitura, experimente! Por aqui já se foi a trilogia, não é comparável com "Os Lusíadas" e nem se esperava por isso :)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Nadal e aumentos


Que Rafael Nadal é um grande tenista, não devem existir dúvidas, há quem não o considere o melhor, mas é de todo uma outra história :)

A diferença que um "nome" pode trazer em termos de preço é algo espantoso, alguns jornais publicaram algumas notícias referentes ao aumento de mais de 300% no bilhete para o Brasil Open desde que foi confirmada a presença de Rafa.

O Brasil Open fica mais uma vez passando a ideia de que o tênis não é um esporte para todos, o que consideramos lamentável quando tantos se esforçam para fazer de todos os esportes, uma forma de inclusão social.

Que venha o Nadal :)


quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Vida sem "Word e net"

Na continuação do que pode ser a nossa vida sem as "comodidades" que a vida moderna nos trouxe, pensamos agora nos trabalhos escolares, e-mails e afins.

Em tempos, os trabalhos eram escritos no velho e bom papel com a letra mais caprichada que o aluno conseguia fazer, era como se guardasse esta tal letra para fazer o trabalho final, lá escrevia as suas páginas, se tivesse que fazer uma apresentação, recortava as revistas, passava uma boa cola branca, escrevia com canetas coloridas e aguardava o momento de abrir a sua boca e dizer o que sabia :)

Já para os que tinham forma de o fazer, datilografavam o trabalho e ouviam aquele som da máquina de escrever avisando quando terminava a linha. Papel bem colocado, atenção nas margens, lá estava o início de grandes batidas nas teclas, uma letra mais carregada do que a outra para os que não tinham muito jeito e um grande texto datilografado para quem tinha feito o curso de datilografia e se orgulhava do seu certificado.

Agora andamos pelos computadores, onde já não se ouve a palavra trabalho escrito pensando que será escrito em folhas A4 pautadas e com a sua melhor letra, afinal, nesta altura, espera-se que você só não escolha um tipo de letra mais desenhada e opte pelas sóbrias Times New Roman e Arial, que dê 1,5 de espaçamento entre linhas, pode ser duplo entre parágrafos, o tamanho 12 para ser mais visível, enfim, você já vem com poucas opções, o Word tem muitas, mas você não tem grande possibilidade de escolher.

O que aconteceria se você entregasse o seu trabalho escrito em páginas A4 e feito com a sua melhor letra e com o "Azul Bic"? Nem sabemos, mas poderia ser convidado a digitá-lo mais tarde :)

O problema é quando a tecnologia falha, você precisa formatar um texto, mas o Word tira férias, você precisa enviar o trabalho, mas a Net também resolveu fazer as "malas" e viajar com o Word, resultado, você fica com a opção de reiniciar e esperar que o problema passe.

Ahhhh, o curso de datilografia é uma mais valia :)

Semana tecnológica de sucesso, mas não se esqueçam que é sempre agradável enviar um cartão escrito com a sua "melhor letra" ;)

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A Pré-história moderna, existe?


No meio do nosso mundo atual e cheio de tecnologias, conseguimos em pouco tempo voltarmos à Pré-história. Duvidam? :)

Se você tem os bonitos estores elétricos fechados e acabar à luz, você terá a casa em total escuridão, aliás, a função deles é mesmo proteção :) Se acrescentar a placa de vitrocerâmica ou indução no lugar das belas e genenoras bocas de fogão que acendem com o palito de fósforo e dependem do gás, vc ficará sem cozinhar quando a luz for embora...rs.

Pensou no microondas? Também precisa de luz :)

Vamos continuar a saga da vida moderna e falarmos sobre os canais de televisão, até mesmo do próprio aparelho em si. Ficar sem tv ou os canais neste mundo em que vivemos parece um martírio que dura uma eternidade, você só sonha com as suas séries etc, mesmo que você assista pouca coisa e ligue o equipamento por breves momentos, ficar sem os canais desperta em si, a ausência de algo importante...a saudade...talvez, o seu lado "deprimido" :)

Se a isso tudo você acrescentar o esquentador/caldeira, estiver no inverno, sem chances de pensar em banhos frios, o "bonito" apresenta o problema e nada de banhos quentes, podem retornar aos banhos aquecendo dúzias de panelas com água, bem, isso que se tiver luz naquele momento. :)

Não dá mais, você está às escuras, sem chance de cozinhar e tomar banho e nem pode ver tv para passar o tempo :)

Dá para pedir socorro? Dá se vc tiver saldo no celular porque o telefone de rede fixa também precisa de luz para sobreviver :)

A diferença entre a Pré-história e agora é que não dispomos dos meios naturais em casa para fazer um fogo com pedras etc, mas tb se tivéssemos, poucos saberiam utilizá-los.

"Oh, dependência", se a luz...a água...acabam por momentos, que sejam breves :)



Bem-vindos à Pré-história moderna!